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terça-feira, 29 de julho de 2014

RHYS VINEYARD II: Vinhedos e Processos de Vinificação.



A Rhys atualmente possui sete vinhedos, e cada um deles possuem uma geologia completamente diferente entre si, o que dá um caráter único a cada um deles, já que os vinhos da Rhys transparecem esplendidamente o terroir de onde são feitos.
Abaixo seguem algumas informações sobre cada um dos vinhedos, e que estão descritas também no contra rótulo de cada vinho.

Alpine: 
O vinhedo Alpine fica localizado a 10 milhas de distância do oceano Pacífico. A altitude e a proximidade com o oceano contribuem para a formação de um clima bem frio, mas ao contrário de outros vinhedos californianos frios e cheios de neblina, no Alpine tem-se pouco vento. Essa combinação única de clima e solo produzem vinhos que não se assemelham a nenhum outro Pinot Noir ou Chardonnay no mundo todo.
O vinhedo é dividido em blocos de  acre, e nesses blocos há 16 diferentes clones de Pinot Noir e 4 Chardonnay. A maioria desses clones são “Heritage” ou “Suitcase clones” de baixos rendimentos como Calera, Swan, La Tache, Hyde e Wente. Cada bloco é vinificado separadamente, e através disto eles são capazes de isolar 3 distintos Pinot Noirs. O pequeno e orientado para o leste,“Rhys Swan Terrace”, oferece uma expressão sofisticada e elegante do vinhedo, enquanto uma seleção rigorosa das uvas dos blocos voltados ao Sul produzem o “Rhys Alpine Vineyard”. Em alguns anos há a produção do “Rhys Alpine Hillside” produzido a partir da área mais íngreme e de menor rendimento deste vinhedo.

Uvas: Pinot Noir (11 acres), Chardonnay (1,75 acres)

Geologia/Solo: uma camada de 12”-24” de solo rochoso e abaixo xisto macio (“Purisima Formation”)

Elevação: Pinot Noir (1230' - 1400'), Chardonnay (1230'-1400')

Clones Pinot Noir: “Rhys Selection” e “Heritage Clones” com espaçamento de 6'x 4' 

Clones Chardonnay: “Wente”, “Hide” e “Dijon Clones Blend” com espaçamento de 6'x4' e 6'X5'

Orientação dos vinhedos: Pinot Noir (Leste, Sul, Oeste), Chardonnay (Leste, Oeste)

Horseshoe: 
Este vinhedo possui um total de 17,5 acres e fica situado a apenas _ milha do Alpine, mas eles produzem vinhos bastante diferentes entre si. O cume que separa ambos os vinhedos protege o Horseshoe da influencia direta do oceano, mas permite que haja um clima frio similar entre ambos. O mais importante é que este vinhedo esta localizado em um cume de xisto sedimentado chamado de “Monterey Formation”. Este leve e quebradiço xisto é predominante em toda a superfície do solo e proporciona baixo vigor e uma excelente drenagem.
O vinhedo possui 13 clones de Pinot Noir, 3 de Syrah e 4 de Chardonnay.Os vinhos produzidos são bastante minerais, precisos e com foco. Eles oferecem uma tensão quase palpável que recompensa grandiosamente quem os deixa envelhecer.

Uvas: Pinot Noir (10,85 acres), Chardonnay (3,51 acres) , Syrah (2, 47 acres)

Geologia/Solo: uma camada de 18”-24” de solo rochoso e abaixo xisto de “Moterey”

Elevação: Pinot Noir (1450' - 1610'), Chardonnay (1450'-1500'), Syrah (1340' - 1600')

Clones Pinot Noir: “Rhys Selection” e 2 “Heritage Clones” com espaçamento de 6'x4' 

Clones Chardonnay: “Wente”, “Hide” e “Mt. Eden” com espaçamento de 6'x 4' e 6'X 5'

Clones Syrah: “Chave” e “Côte Rotie Field Blend” com espaçamento de 6'X5' 

Orientação dos vinhedos: Pinot Noir (Leste, Sul, Oeste), Chardonnay (Sul), Syrah (Sudoeste)

Skyline:
Skyline é um dos vinhedos de Pinot Noir mais altos da California. Esta altitude extrema ajuda a deixar mais frio o vinhedo enquanto proporciona raios solares constantes que é encontrado acima da neblina. A fim de produzir uma cultura viável, as vinhas possuem um espaçamento extremamente pequeno entre si (2'X3' para Pinot Noir e 4'X3' para Syrah). Acha-se que Skyline é vinhedo de Pinot Noir que possui o menor espaçamento entre todos os outros da California. São 12 clones de Pinot Noir plantados em “Seleção Massale” com uma densidade de cerca de 7.000 videiras por acre.
Skyline com os seus solos extremamente rochosos e diversificados, produzem um dos vinhos mais minerais e exóticos do novo mundo.

Uvas: Pinot Noir (Atualmente: 3,06 acres), Syrah ( Antigamente: 1,06 - foram substituidas por Pinot Noir em 2013)

Geologia/Solo: uma camada de 2”-4” de solo rochoso e abaixo arenito (“Lorenzo Formation”)

Elevação: Pinot Noir (2280' - 2375')

Clones Pinot Noir: “Mixed Suitcase Clones” com espaçamento de 3'x 2' e 3'X3'

Orientação dos vinhedos: Pinot Noir (Sudoeste, sudeste)

Family Farm
O vinhedo Family Farm é o resultado de uma parceria especial da Rhys e seus vizinhos. Ao perceberem o potencial do seu solo, em 2002, as famílias, Sletten, Martin, Sullivan and Harvey decidiram converter a área em um vinhedo.O clima deste vinhedo é  muito similar a outro vinhedo da Rhys, o Home Vineyard, mas os seus solos aluviais compostos de areia e argila são únicos.
Como muito dos melhores vinhedos da Borgonha, a orientação deste vinhedo voltada para leste, protege as uvas do sol quente da tarde, permitindo com que as uvas mantenham o seu frescor e a dimensão aromática.
Os vinhos deste vinhedo são potentes e ao mesmo tempo elegantes, e pode-se perceber facilmente uma distinta complexidade e um caráter mais verde devido a utilização de cachos inteiros (sem desengaço) na fermentação, que ao envelhecer transforma-se em um complexo aroma floral. 
Embora sejam extremamente acessíveis quando jovem, eles envelhecem muito bem. A primeira safra, 2004,alcançou a sua maturidade somente agora.

Este vinhedo possui 8 diferentes clones de Pinot Noir (115, Swan, Pommard e 8 “Suitcase Clones”)

Uvas: Pinot Noir (6,16 acres)

Geologia/Solo: Solo aluvial franco-argiloso

Elevação: Pinot Noir (400')

Clones Pinot Noir: “Rhys Selection”, Swan, 115, Pommard com espaçamento de 6'x 6'

Orientação dos vinhedos: Pinot Noir (nordeste)


Home Vineyard
Este vinhedo é o primeiro dentre os 7 vinhedos da Rhys. Plantado originalmente em 1995 e expandido em 1998, possuía originalmente somente _ de acre. Por muitos anos a produção era de somente 1 barril ou 24 caixas de vinho. Em 2007 a Rhys adquiriu um lote vizinho e o vinhedo foi expandido para 1,3 acres.O novo lote foi plantado de maneira bem densa (4'X4,5', foi utilizado um porta enxerto de baixo vigor 420 A e uma seleção de clones “Heritage” e “Suitcase Clones”.
Enquanto o Home Vineyard possui o mesmo clima ameno e consistente como o Family Farm, ele está situado em um terreno diferente. O arenito decomposto da “Whiskey Hill Formation” e o solo superficial franco-argiloso, produzem um vinho com aromas terrosos, poeira e frutas negras e vermelhas. É muito interessante comparar as características diferentes do Family Farm e do Home Vineyard, dada a proximidade, mas solos muito distintos entre si.
Após algumas experimentações, chegou-se a conclusão de que este vinhedo produz o seu melhor vinho através de uma fermentação utilizando 100% de cachos inteiros e a mínima influência de carvalho novo. Esta abordagem faz com que realmente brilhe a característica terrosa que este vinho possui.

Uvas: Pinot Noir (1,3 acres)

Geologia/Solo: solo superficial franco-argiloso e arenito decomposto da “Whiskey Hill Formation”

Elevação: Pinot Noir (4500'-5000')

Clones Pinot Noir: 115, 777, Pommard , Swan, Wadenswil and 10 different “Suitcase” clones com espaçamento de 4'x 4,5'

Bearwallow
Este vinhedo fica na região de Anderson Valley e ao contrário dos outros vinhedos da Rhys, neste sítio já havia 6 acres de videiras de Pinot Noir de 8 anos de idade já plantadas. Atualmente foram plantados mais 25 acres de Pinot Noir e Chardonnay, mas ainda não produzindo. As vinhas já existentes é que são responsáveis pelas garrafas de Bearwallow Pinot Noir.

Uvas: Pinot Noir (6,56 acres em produção)

Geologia/Solo: solo superficial de 6” a 24” e abaixo xisto fraturado,arenito e quartzo (“Wolfey-Bearwallow Series)

Elevação: Pinot Noir (400')

Clones Pinot Noir: 115, 777, Pommard 



O termo “Suitcase Clone” (clones de bagagem), diz respeito a clones de videiras trazidas ilegalmente dentro da mala em visitas a Borgonha, ao em vez de utilizar os “ Dijon Clones”. Eles fazem isso devido ao fato de que há uma enorme burocracia e pode demorar vários anos para conseguir importar legalmente para os Estados Unidos um novo tipo de clone. Há inclusive uma troca de clones trazidos ilegalmente em viagens entre eles e as vinícolas vizinhas.
Na nossa visita ao vinhedo Skyline, Jeff, também aproveitou para nos mostrar como são os cachos de uvas típicos dos vinhedos da Rhys. Como os vinhedos estão uma região montanhosa, perto do oceano e a uma altitude elevada, eles sofrem constantemente com a formação de uma neblina que encobre os vinhedos. Esta neblina acaba atrapalhando a floração e o desenvolvimento da baga, e acaba acontecendo a formação de “Millerandage”.
“Millerandage” é o fenômeno que acontece quando as uvas de um mesmo cacho possuem tamanhos bastante diferentes e estão em graus diferentes de maturação. Isso causa uma grande queda no rendimento e pode ter diferentes impactos na qualidade do vinho. Para uvas que são propensas a ter uma maturação irregular dentro de um mesmo cacho, tais como Zinfandel, Sangiovese, Gewürztramina, a formação de “millerandage” pode ser desfavorável devido ao aparecimento de “notas verdes” através de uvas não maduras escondidas no cacho. Já para uvas como a Pinot Noir, a qualidade do vinho pode ser potencialmente melhorada, devido ao tamanho reduzido da baga e uma taxa maior de pele em relação ao suco. 

Os vinhedos da Rhys geralmente possuem baixíssimos rendimentos, em torno de 1,0 tonelada por hectare. No ano de 2012 eles tiveram o rendimento mais alto da história deles, em torno de 2 - 2,5 toneladas por hectare. 

Após a visita ao vinhedo “Skyline”, fomos até a adega subterrânea construída pela Rhys e inaugurada em 2010. Esta adega demorou 5 anos para ser construída, sendo 3 anos de escavação. E todo o processo produtivo acontece dentro dela, desde a chegada das uvas até a saída das garrafas para os seus clientes.

Nesta cave “Jeff” nos explicou o processo de vinificação da Rhys. Primeiro, caso seja possível, eles irão fermentar com o maior número possível de cachos inteiros (sem ser feito o desengaço). Isso faz com que os vinhos ganhem em complexidade, profundidade e em capacidade de envelhecimento. Na Borgonha este método é utilizado pelo Domaine de la Romanée-Conti, Domaine Leroy, Domaine Dujac e etc. 

A Rhys possui em torno de 120 pequenos fermentadores costumizados em aço inoxidável e outros 10 feitos de carvalho pela Rousseau Tonnellerie. Cada parcela de cada vinhedo é fermentado separadamente. Isto permite que eles façam experimentos com cada uma destas parcelas e analisem, por exemplo, a porcentagem de cachos inteiros que serão utilizados em cada um destes lotes (há alguns que são 100% desengaçados). Esta porcentagem sofre influência do tipo de solo e do clima.

Kevin e Jeff perceberam que no geral os solos rasos e rochosos dos vinhedos da Rhys não transparece muito no vinho a utilização destes cachos inteiros, claro melhora a estrutura do vinho e acrescenta complexidade, mas não transparece no nariz nenhuma “nota verde”/herbácea que denuncie este tipo de prática. Como geralmente as regras tem exceções, no vinhedo “Family Farm”, que possui um solo mais profundo e argiloso é possível notar essa influência da utilização dos cachos sem serem desengaçados. Ao envelhecer essas notas acabam se integrando ao vinho e acrescentando desejáveis notas florais, o que é uma característica bem comum de sentir nos vinhos do Domaine de la Romanée-Conti mais envelhecidos. Além do solo, Jeff disse que para ser viável a utilização de cachos inteiros na fermentação, os engaços devem estar completamente secos (sem nenhuma seiva no meio), e podem estar até com uma coloração verde.  

Devido ao solo, condições climáticas, clones utilizados e práticas agrícolas implementadas, as uvas da Rhys ficam maduras com graus brix relativamente baixos, gerando vinhos com baixo teor alcoólico (12 -13%). A colheita das uvas também se dá com diferentes graus de maturação, o que segundo Jeff acrescenta complexidade ao vinho.

As uvas são colhidas manualmente e depois passam por uma mesa vibratória onde se faz uma seleção extremamente minuciosa dos cachos, após isso os cachos inteiros (não amassam as uvas para não perder o aroma da fruta)  vão para os pequenos fermentadores onde ocorrerá uma maceração pré-fermentativa a frio durante 5 a 7 dias a uma temperatura de 48 graus Fahrenheit. Após essa etapa a temperatura é elevada lentamente, processo este que ocorre durante dias, até que a fermentação comece naturalmente e a partir deste momento o fermentador é aberto.

Vale salientar que em nenhum vinho da Rhys há adição de leveduras selecionadas, nutrientes, culturas lácticas e etc. A fermentação alcoólica e maloláctica ocorre de maneira natural. Devido á natureza e delicadeza do Pinot Noir não é utilizado bomba em nenhuma parte do processo, durante a fermentação a capa que se forma na superfície é submergida 2 vezes ao dia utilizando-se os pés (esta escolha também deve-se ao fato de utilizar os cachos inteiros para fermentar). 

Após a fermentação estar completa já é feita a prensagem, não há uma maceração pós fermentativa prolongada para não haver super extração e não perder a delicadeza e a tipicidade do terroir.  

Os barris de carvalho utilizado são da Tonnellerie François Frères (muito utilizado por grandes produtores na Borgonha, inclusive pelo DRC) e feito com diferencial exclusivo para a Rhys, fica 4 anos envelhecendo/secando ao em vez do normal 2 ou 3 anos. A Rhys é a única vinícola no mundo para a qual a François Frères faz isso, e serve justamente para não haver influência nenhuma do carvalho nos vinhos e desta maneira não esconder a tipicidade do terroir. Os barris possuem tostagem médio mais, 90% são VTG (“very tight grain”) e 10% MTG (“médium tight grain”), no futuro utilizarão 100% VTG. A proporção de carvalho novo e o tempo de envelhecimento que cada vinho passará, depende de cada vinhedo e da safra.

Após percorrer por completo esta cave submersa, fomos a uma sala fazer a degustação dos vinhos. O engraçado desta é que ela possuía um grande mapa com os vinhedos da Borgonha pendurado na parede. Ao total degustamos 9 vinhos. 




Continua no III e último POST sobre a degustação.

Touché!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Vinho a Nós a Vossa Arte: Fotografia e Arte de Liliya Rodionova





Artista/Fotógrafa: Liliya Rodionova


Touché!


RHYS VINEYARD: Chegada, visita e o primeiro dia.



 ``Winelover`` do post do dia é o meu amigo Thales Henrique, que dá continuidade por aqui com a   visita à RHYS. Dentro de seu estilo e perfil de consumidor, enófilo do vinho ele agrega o seu olhar dentro de um resumo sobre a visita e sua experiência através de uma descrição pessoal. São muitos detalhes que eu não quis descartar, porque te transporta às cenas! Portanto, dividirei em mais de um post...


  Em 27/06/2014 - O DIA E A CHEGADA A RHYS.

 ``Ao acordar  aproveitei a manhã para ir dar uma volta e tomar café da manhã no Ferry Plaza Farmer's Market, como o próprio nome já diz é um mercado/feira localizado dentro do Ferry Building em San Francisco. Nele é possível encontrar alguns restaurantes, cafeterias, e uma imensa variedade de produtos, em sua grande maioria produtos locais, frescos e orgânicos.  Pode-se comprar frutas, doces, vinhos, pães, cervejas, flores, carnes, queijos, embutidos, peixes e etc, funciona como o Mercado Municipal de São Paulo.
Nesta manhã aproveitei para conhecer alguns produtos locais, comprar algumas cervejas artesanais para tomar a noite no hotel e como já foi dito antes, fazer o meu desjejum. Para o café da manhã enfrentei a fila para comprar alguns pães em um panificadora que trabalha somente com ingredientes orgânicos, um pouco de queijo em uma queijaria e um salame em uma loja de embutidos. Pronto, está feito o Lanche que me serviria de café da manhã e me daria sustentação para a visita a Rhys Vineyards à tarde. 
Sai do Farmer´s Market em torno de 11h e 30m e peguei o caminho rumo a Santa Cruz Mountains, lugar onde é localizado a Rhys Vineyards e que fica ao sul de San Francisco, separando a Baia do Oceano pacífico. Ao chegar ao pé de Santa Cruz Mountains, peguei uma estrada chamada Skyline Boulevard que me guiou montanha acima durante vários kilometros até chegar ao topo ou quase lá, onde encontrei um portão de metal escrito Rhys. 
Ao chegar na entrada da vinícola, interfonei e avisei sobre a minha chegada. A voz que me atendeu mandou eu entrar, e os portões de metal abriram automaticamente. Segui com o meu carro por uma pequena rua até chegar em uma construção que parece um pequeno Chateau. 
Ao descer do carro fui em direção a  construção e ela estava totalmente fechada e  parecia não haver uma viva alma na vinícola. Após quase 15 min ouço um barulho de um carro adentrando a propriedade e quando vejo era um veículo da empresa FedEX. A funcionária desta empresa desceu do carro com um pacote e adentrou o que parecia ser uma cave submersa.
Após alguns minutos a mulher saiu pelo mesmo lugar em que entrou e foi embora, e logo em seguida apareceu o “Winemaker” da vinícola, o Jeff Brinkman, que veio se desculpar dizendo que estava nos esperando em uma outra entrada. 
Logo no começo o Jeff nos perguntou se tínhamos algum compromisso ou limitação de tempo para fazer a visita, prontamente disse que não e assim começou uma visita memorável de aproximadamente 5h de duração. 

A primeira coisa que fizemos nesta visita foi presentear o Jeff, entreguei-lhe umas garrafas de espumante Brasileiro, mais precisamente Adolfo Lona Brut Champenoise. Este fato fez com que o Jeff abrisse um largo sorriso, e que brincasse, dizendo: “A minha adega é constituída basicamente de Borgonha tinto e branco, alguns Barolos envelhecidos, Champagnes e agora alguns espumantes Brasileiros”.
 Este dia realmente vai ficar marcado em minha lembrança.  

Logo a seguimos a subir uma pequena encosta e já demos de cara com o vinhedo chamado “Skyline” e que fica a poucos metros do pequeno “Chateau”. Neste vinhedos tivemos uma aula sobre os diferentes vinhedos que eles possuem, os seus solos e etc, e pudemos realmente começar a conhecer ``os valores da vinícola``, em que eles acreditam e seus objetivos.

Kevin Harvey, o dono da vinícola, era um empresário muito bem sucedido do Vale do Silício, atuava na área desenvolvimento de Softwares para computadores e fazia investimentos de capital de risco. Sendo extremamente aficionado pela região da Borgonha e pelo Norte do Rhône, ele decidiu plantar um pequena quantidade de vinhedos (Pinot Noir) perto da sua casa e vinificar uma pequena quantidade de vinho em sua garagem. Após ficar surpreso com a qualidade do vinho alcançado em sua garagem, ele realmente não esperava por isso, Kevin decidiu seguir a sua paixão, deixando de lado o seu lado empresarial no Vale do Silício e fundou a Rhys. Para isso, ele precisava mais do que os _ de acre que ele havia plantado no seu quintal (atualmente chamada de Home Vineyard), e por volta do ano de 2000, Kevin começou a procurar terras onde ele pudesse plantar novas videiras.

E o local escolhido foi justamente Santa Cruz Mountains, pois o maior objetivo de Kevin era expressar através do vinho um caráter único de cada vinhedo, e Santa Cruz Mountains é umas das regiões do mundo onde possui uma das maiores diversidades de solo. Isso se deve ao fato dela ficar localizada no local onde a placa tectônica do pacífico se encontra com a placa tectônica da América do Norte (falha de San Andreas), e isso criou diversos lotes pequenos com solos diferentes.
Como a principal filosofia da Rhys é que um grande vinho é feito no vinhedo e não na vinícola, todos os vinhedos são cultivados de maneira orgânica ou biodinâmica. Eles acreditam em um cultivo balanceado das videiras, cultivando um ecossistema com uma grande diversidade biológica ao redor dos vinhedos, há inclusive ovelhas entre as vinhas.
Kevin, ao contrário do que muitos pensam, acredita que o clima não é o fator mais importante no cultivo das vinhas, para ele o solo desempenha um papel ainda mais importante.
Todos os vinhedos da Rhys seguem a seguinte regra: solos rasos, rochosos, cheios de ferro e minerais, subsolos rochosos que tenham pouca capacidade de retenção de água e que permitam que as raízes penetrem profundamente, baixa composição de argila, clima frio e altas altitudes. Vinhedos neste estilo possuem geralmente um menor rendimento e produzem vinhos com uma mineralidade marcante, o que é uma característica extremamente importante e desejável nos vinhos da Rhys.
Kevin realmente acredita que o fato de que os Grand Crus da Borgonha se encontram no meio da encosta da Cote d’Or, não devido ao fato de possuírem clima e exposição ao sol ideais, e sim devido à melhor drenagem do solo.
É importante citar que as teorias citadas anteriormente são focadas na Pinot Noir, que é a uva que mais reflete a característica do terroir em que estão inseridas. E caso o Terroir não tenha muito o que falar, o Pinot Noir também será extremamente desinteressante.


A Rhys atualmente possui sete vinhedos, e cada um deles possuem uma geologia completamente diferente entre si, o que dá um caráter único a cada um deles, já que os vinhos da Rhys transparecem esplendidamente o terroir de onde são feitos.


No próximo post, sobre estes 7vinhedos!


Touché!